Frase do dia

“Não sou contra o governo com o intuito de me tornar governo. Sou contra o governo porque ele é contra o povo”

Reginaldo Marques

terça-feira, 1 de março de 2016

Legislando abaixo do volume morto - A Tribuna

Sem mais nenhuma representatividade junto à população, e com um indisfarçável alinhamento com as questionáveis políticas públicas empreendidas na cidade pela atual administração, principalmente na área da saúde, a Câmara de Vereadores de Campos do Jordão, passou os últimos anos atuando como coadjuvante de uma tragédia anunciada, quando tinha tudo para ser a protagonista de uma história de superação.

Ao abrirem mão de sua principal função que é a de fiscalizar de perto o trabalho do executivo, tornaram-se todos em nada mais do que meros chanceladores oficiais das vontades do alcaide – transformaram a Câmara em uma discreta extensão do Gabinete do Prefeito.

O balanço dos trabalhos do legislativo jordanense nestes últimos anos se resume a duas únicas ações: A realização de um concurso público, e a devolução de alguns milhares de reais aos cofres do executivo. Dinheiro este, diga-se de passagem, que depois de devolvido ninguém sabe ao certo que destino tem.

Para os desavisados de plantão e para os aduladores profissionais duas relevantes ações, para quem se aprofunda só um pouco no assunto, duas grandes decepções.

A primeira porquê não se trata de uma inovação, e menos ainda de uma iniciativa dos atuais vereadores, mas apenas de cumprir um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assumido anteriormente pela casa junto ao Ministério Público, e a segunda, porquê é a prova de que os vereadores das gestões passadas estavam gastando muito e mal o nosso dinheiro.

Nenhum dos sérios problemas vividos pela população durante os últimos anos na educação, segurança, habitação, infraestrutura, transporte ou na saúde conseguiram sensibilizar nenhum dos vereadores a ponto de fazer algum deles se indispor com o prefeito.

Podemos definir os últimos três anos de atuação da Câmara como uma importante reserva política que deveria estar a serviço da população, mas que funcionou sempre abaixo do volume morto.

Por estes motivos a saída dos treze cavaleiros do apocalipse se tornou uma condição sine qua non para que a cidade reencontre o caminho do desenvolvimento.

De qualquer maneira é sempre bom ter muita cautela quando tecemos críticas ao legislativo, pois como muito bem nos avisou Ulisses Guimarães, “a próxima sempre pode ser pior”.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Complexo Municipal de Saúde: Avanço ou voo da galinha? - A Tribuna.

A saúde contínua sendo o calcanhar de Aquiles do “Novo Jeito de Governar”, mesmo depois de passados trinta e oito meses de sua posse. E faltando apenas dez para seu fim, nada nos dá indícios que vai parar de piorar, quiçá melhorar!

Dias após a inauguração do novo Complexo Municipal de Saúde, várias noticias dão conta que a maquiagem feita no antigo prédio que ocupava as instalações do Sanatorinhos Ação Comunitária de Saúde, e que estava fechado há quase três anos, esta se derretendo diante do calor das reclamações.

O prédio conhecido como S3 foi reformado as pressas, depois de a justiça ter determinado a imediata reintegração de posse do prédio do Hospital São Paulo a Fundação mantenedora, e ainda não reúne condições para abrigar um complexo de saúde.

As famosas improvisações permanentes, que carinhosamente batizamos de gambiarras, segundo algumas fontes, podem ser vistas até mesmo dentro da sala de cirurgia, o que eleva os níveis de preocupação já suscitadas a respeito da higiene e segurança hospitalar do prédio ás alturas.

As adaptações e improvisações são tão constantes no atendimento do novo complexo hospitalar, que médicos, enfermeiras e atendentes do Hospital S3 foram apelidados na cidade de “MacGyver’s de branco”.

Os furos que vão aparecendo diariamente, tanto no atendimento, quanto na infraestrutura do prédio são tantos, que não existe peneira no mundo que de conta de tapá-los.

Prova da dificuldade que o executivo vem tendo de explicar o inexpiável, foi um vídeo veiculado na página do Deputado Estadual pelo PV, Padre Afonso Lobato, que tinha por objetivo acalmar a população e acabou tendo resultado completamente contrário.

O vídeo gravado na porta do hospital, mostra um prefeito que apesar do sorriso não consegue esconder seu semblante de preocupação, pois sabe que esta diante de sua última e ainda incerta cartada na saúde, e um deputado completamente constrangido com a situação.

O prefeito que durante a sua campanha, aparece em outro vídeo, afirmando que a prefeitura devia a Santa Casa naquela ocasião mais de cinco milhões de reais por serviços prestados, é o mesmo que hoje afirma que a prefeitura não deve absolutamente nada ao Hospital São Paulo, mesmo a justiça já tendo batido o martelo dizendo que: “houve acentuado declínio nos valores de repasses no período anterior ao ato extremo praticado pela administração” (sic).

E dizer o que de um deputado que mesmo constrangido, participa em silencio de um vídeo com este conteúdo? Silêncio obsequioso este que o torna nas melhores das hipóteses conivente com uma administração que segundo a justiça praticou descalabros administrativos dentro do Hospital São Paulo.

Vítima de uma administração pública que há décadas vem provando que tem o dedo podre para a saúde, a população de Campos do Jordão observa impotente e calada a completa destruição de seu sistema hospitalar.

Cabe agora saber quantos óbitos serão necessários para que o judiciário proíba de uma vez por todas que essa gente continue brincando de Deus.

Enquanto isso, nossos vereadores gastam seu tempo e nossa paciência discutindo inútil e calorosamente se devem ou não proibir o tráfego de charretes na cidade, o que comprova empiricamente a “teoria” do Barão de Itataré que diz que de onde menos se espera alguma coisa, daí é que não sai nada mesmo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Charretes: Proibir ou regulamentar? - A Tribuna

Teve início nesta quarta-feira, dia três de fevereiro, a primeira de uma série de três audiências públicas que deverão ser realizadas pela Câmara Municipal de Campos do Jordão para discutir o polêmico projeto de lei que propõe a proibição do tráfego de charretes na cidade.

Nunca uma audiência pública atraiu tanto o interesse da população da cidade quanto esta. Tal interesse se dá por conta do ativismo dos protetores dos animais que apoiaram em massa o abaixo-assinado que deu origem ao polemico projeto, e por ser as charretes, uma das mais antigas e tradicionais atividades econômicas e turísticas da cidade.

Apesar de serem em número infinitamente menor que os protetores dos animais, que tiveram um expressivo reforço de parlamentares e ativistas de outra cidade, os charreteiros também conseguiram sem maiores esforços ou campanhas em redes sociais arrebanhar um bom número de simpatizantes, que acompanharam atentamente os argumentos apresentados por ambos os lados nesta primeira audiência.

Depois de um início bastante produtivo e cortês, os debates inevitavelmente caíram na vala comum dos ataques pessoais, o que evidenciou que o cerne da discussão vai muito além do simples amor aos animais.

Um “Q” de política, misturada a antigas rixas pessoais pairou no recinto assim que alguns debatedores sem muitos argumentos plausíveis a serem apresentados, desviaram o foco da discussão, e miraram apenas seus desafetos pessoais.

Seguindo o fluxo dos acontecimentos alguns vereadores presentes viram ali uma grande oportunidade de angariar alguns votos agradando a maioria dos presentes, sem se importarem com as consequências finais que a aprovação ou não do projeto possam gerar dentro da cidade.

O debate nesta primeira audiência ficou claramente polarizado entre a racionalidade dos charreteiros, que foram à audiência atrás de um consenso que permita melhorar o desempenho de sua atividade sem sofrerem o ônus da proibição, e pela emoção exacerbada dos protetores dos animais, que por enquanto, não deram sinal que desejam retroceder em suas intenções de acabar definitivamente com este tipo de atividade na cidade.

Ninguém em sã consciência é contra os animais, ou aceita que maus-tratos sejam considerados normais, ou apenas uma exceção que deva ser tolerada, porém, ninguém também é ingênuo a ponto de achar que a simples proibição da circulação de charretes será a definitiva salvação dos cavalos da cidade.

Se os protetores dos animais tiverem coerência em seu discurso, e em suas atitudes, a proibição das charretes será apenas o início de uma série de outras proibições, que inviabilizará futuramente outras atividades ligadas ao manejo de cavalos na cidade.

Naturalmente na esteira da proibição das charretes, terá de vir à proibição dos aluguéis de cavalos para passeios e cavalgadas, tendo em vista que um cavalo sofre mais com um homem em seu dorso do que puxando dois, três ou quatro em uma charrete.

Ainda teremos mais duas audiências antes de o projeto ser levado a votação em plenário, mas já ficou bastante claro que se o projeto continuar com a mesma redação de hoje, simplesmente não será aprovado.

E para solucionar mais este impasse, cirurgicamente criado entre charreteiros e protetores dos animais as portas de uma eleição, o projeto inevitavelmente sofrerá uma série de emendas para agradar a gregos e troianos. Emendas estas que descaracterizarão o projeto a ponto de torná-lo completamente inútil.

Caso os ativistas tenham sucesso em sua empreitada, e consigam a proibição das charretes, cabe saber se os mesmos terão força e apoio o suficiente dos endinheirados da cidade para levar a sua luta as últimas consequências, proibindo que os haras e demais estabelecimentos de luxo da cidade, que também se beneficiam do trabalho dos cavalos, tenham o mesmo destino dos pequenos criadores - pelo simples fato que bem cuidados ou não, escravos são escravos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Um carnaval de hipocrisias - A Tribuna

É fato que o país, e por consequência todos os estados e todas as cidades estão passando por uma das mais sérias crises financeiras dos últimos anos. Mas também é fato que Campos do Jordão vêm passando por uma carestia financeira há muito tempo, e nem toda ela foi gerada por fatores externos ou recentes.

O buraco financeiro jordanense não é culpa do carnaval, e sua origem é bem mais embaixo – ele é o resultado da soma da incompetência dos eleitores de dos administradores por eles escolhidos a cada eleição.

Anunciar em ano eleitoral o cancelamento dos aportes financeiros públicos para a realização do carnaval de rua em uma cidade turística, somente as vésperas de seu acontecimento, dando como desculpa cortes em gastos “desnecessários”, sugerindo um esmero com o dinheiro público que todos sabem muito bem nunca ter existido, não passa de manobra eleitoreira e burra.

Eleitoreira porque a crise financeira jordanense sempre existiu e ela nunca foi empecilho para a realização de outros eventos culturais na cidade com ajuda da prefeitura, como foi o caso do Megacycle no ano passado.

E burra porque Campos do Jordão têm sua economia baseada única e exclusivamente no turismo, e a realização de um evento com visibilidade mundial que tem um grande potencial de atrair mais visitantes para a cidade, não pode ser classificado pela população e menos ainda pela administração pública como gasto, mas sim como investimento.

Se a prefeitura realmente acha que investir na cidade visando atrair mais turistas não é importante para alavancar a economia local, então ela deveria fomentar a criatividade da sociedade civil organizada e empresarial durante todo o ano, criando todas as condições possíveis para que ela absorvesse naturalmente todos estes eventos, oferecendo em troca incentivos e todo o suporte logístico público necessário para a realização destes eventos, sem maiores burocracias ou empecilhos.

Apesar do apelo social e extremamente piegas de não gerar gastos com carnaval em época de extrema carestia na saúde e em outros serviços essenciais, a verdade é que ninguém garante que o dinheiro “economizado” no carnaval terá um destino mais nobre.

Na realidade, este corte nos investimentos no carnaval de Campos do Jordão, usando este viés de responsabilidade administrativa, beneficiará somente os políticos da cidade, que as portas de mais uma campanha eleitoral estão posando de senhores responsáveis, e zelosos protetores dos cofres públicos; E como sempre passaram a batata quente para as mãos dos comerciantes da cidade, que não terão tempo hábil para organizar um evento de qualidade para oferecer aos turistas, e arcarão sozinhos com todo o ônus de mais um fracasso anunciado, amargando mais uma vez enormes prejuízos já no início do ano.

O carnaval não precisa de Campos do Jordão, mas Campos do Jordão mais do que nunca precisa do carnaval - Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí agradecem.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A República dos Menudos - A Tribuna

Deixamos 2015 para trás com a nítida sensação de que foi um ano completamente perdido em todos os sentidos, e entramos em 2016 com a certeza que também não será um ano diferente, tendo em vista que ele marca o fim de um governo que nunca começou.

Eleitos sob uma enorme expectativa de renovação, a nova geração de políticos jordanenses não conseguiu apresentar nada de novo, e se tornaram para a decepção de todos, políticos novos com hábitos antigos.

Nem mesmo o enorme volume de propaganda “proativa” despejada diariamente pela bem remunerada assessoria de imprensa da prefeitura durante estes primeiros três anos foram suficientes para convencer os jordanenses, muito menos foi capaz de varrer para debaixo do tapete a incompetência generalizada que tomou conta de todos os setores da administração pública jordanense nos últimos anos.

Apesar das bravatas que se tornaram marca registrada dos componentes do gabinete do prefeito nenhuma obra de iniciativa do atual governo entregue nestes últimos anos tem alguma relevância na vida cotidiana do jordanense.

Bons na teoria, mas péssimos na prática os últimos dois governos jordanenses se notabilizaram pela péssima avaliação dos reais problemas a serem enfrentados, pela morosidade nas tomadas de decisão e principalmente pela sua presunção.

Com uma inegável simpatia pelo executivo e com uma atuação das mais inexpressíveis dos últimos anos o legislativo foi a reboque da politica sensacionalista empregada pelo governo e deixou correr frouxo uma das mais frouxas administrações que a cidade já teve.

As sucessivas desaprovações das contas públicas da cidade pelo Tribunal de Contas do Estado são provas mais do que suficientes de mais uma administração desastrosa que se abateu sobre Campos do Jordão, e que custará caro às gerações futuras.

E assim o executivo cozinhou toda a população em banho-maria por três anos com a cumplicidade da câmara de vereadores, que de vez em quando ensaia uma rebelião que não convence nem mesmo a “Velhinha de Taubaté”.

Desta maneira a orgulhosa “República dos Menudos” chega ao seu melancólico fim nos ensinando a duras penas que renovação politica não tem absolutamente nada a ver com idade, e que ela só tem sentido quando estiver aliada a competência.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Merry Christmas.


Merry Christmas Iron .

Escudo do São Paulo FC em 0:56 e uma bola de natal na árvore em 1:19 nas cores do SPFC.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015.


Festival da Viola - A Tribuna

Com as atenções completamente voltadas para Brasília onde os três poderes da república veem suas estruturas sendo abaladas por sucessivos escândalos, os jordanenses comuns assim como a imprensa tem deixado muitos e importantes assuntos da cidade em segundo plano.

Um destes importantes assuntos que passou completamente despercebido pela população e pela imprensa local e que foi estrategicamente “esquecido” pela Secretaria de Cultura, foi a realização do Festival da Viola “José Correa Cintra” que segundo a Lei Municipal nº 3.362 de 11 de agosto de 2010 deveria ser realizado no mês de novembro.

Apesar das sabidas dificuldades financeiras da Secretaria de Cultura cantada em prosa e verso por todos os secretários que já passaram pela pasta, a secretária manteve um calendário de eventos muito movimentado durante todo o ano, o que demonstra que os atuais responsáveis pela cultura na cidade são para o que lhes interessa muito competentes.

Não se trata de questionar as habilidades profissionais do secretario, muito menos de sua equipe, que já demostraram não somente neste ano, mas em todos os outros que possuem uma diferenciada capacidade para literalmente tirar leite de pedra - Tratasse de questionador o porquê desta sistemática politica de desconstruir a memória e a história da cidade.

O Festival da Viola que leva o nome não somente de um eminente jordanense mais da mais importante figura da cultura da cidade não é somente um evento musical. É um pedaço da historia da cidade que deveria antes de tudo ser preservado e respeitado.

Mesmo diante desta politica despojada da secretaria de cultura meu desapontamento maior não é com o responsável pela secretaria, pois ali não corre sangue misturado com pinhão e dele não se pode cobrar amor ou respeito maior pela cultura local.

Minha decepção se volta para seus colaboradores diretos, filhos da terra que confundiram grosseiramente quantidade com qualidade.

Se não podemos mais contar com a secretaria de cultura para preservar nossas raízes fica a pergunta: Por onde anda e o que tem feito o Conselho de Politicas Culturais de Campos do Jordão?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O dia em que o Brasil parou - A Tribuna

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
Rui Barbosa.

Esta célebre frase foi cunhada em um inflamado discurso no Plenário do Senado Federal no inicio do século passado. Se Rui Barbosa ainda estivesse vivo com certeza se arrepiaria com a sua profecia.

Infelizmente chegamos neste dia. O brasileiro esta mostrando ser um povo incapaz de sentir o cheiro podre que exala de sua omissão vergonhosa e covarde.

O mal que a eleição de um analfabeto ignorante e de sua criatura fez a nação foi além das fronteiras políticas, avançou sobre a educação, infectou nosso caráter e agora faz galhofa de nossa honestidade.

Os últimos acontecimentos políticos envolvendo o presidente da câmara dos deputados e a presidente da república mostram o quanto esta gente esta atolada na lama da corrupção e da bandidagem.

Paralelo a este escândalo correm os estafetas profissionais, que interessados somente em capitalizar com a tragédia moral que arrasa o país, se vangloriam de um lado e de outro por algo que deveriam apenas ter vergonha.

Tanto o PT da moribunda Dilma, quanto o PMDB do morto vivo Eduardo Cunha se mostram incapazes de conduzir um país que agoniza.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar não é mesmo? Se conseguirmos nos livrar deste câncer politico que dominou o país por 13 longos anos, provavelmente cairemos nas teias do PSDB, que também já nos provou que não tem as mãos limpas.

Nos resta então a tal terceira via. Hoje composta por radicais alucinados travestidos de ativistas sociais. Que Deus tenha piedade do povo brasileiro. 

Caso Santa Casa tem nova reviravolta.

Nem mesmo o mais criativo escritor de novelas mexicanas conseguiria imaginar uma trama com tantas reviravoltas e suspense quanto a historia recente da Santa Casa de Campos do Jordão.

Centro de uma interminável guerra de egos envolvendo curadores e políticos, permeada por várias administrações temerárias que se arrastaram por décadas, levando a entidade a um colapso falimentar e posterior fechamento em 2005, a Santa Casa volta a ter destaque negativo na cidade dez anos depois.

Levada a leilão judicial para pagamento de sua milionária divida trabalhista, a mesma teria enfim achado em junho de 2015 um comprador que se comprometeu a pagar os 2,5 milhões de reais propostos pela Justiça do Trabalho para a aquisição do imóvel.

O que aparentava ser o fim de um enorme problema e o inicio de uma nova fase, se tornou apenas em mais um capítulo obscuro de uma historia ainda muito mal contada e que parece estar longe de seu fim.

O comprador por motivos ainda não confirmados deixou de cumprir a sua parte no acordo e não efetuou até hoje o pagamento dos 2,5 milhões de reais, mesmo após a justiça ter lhe concedido sucessivas prorrogações de prazo para tanto.

Sem ter recebido o pagamento, o juiz trabalhista não teve alternativa a não ser a de aplicar ao proponente comprador identificado nos autos como Toshio Yamaguchi, a multa prevista em Lei de 10% sobre o valor total da compra, cerca de R$ 250.000,00.

Após ter postergado inúmeras vezes a data para o pagamento, sem ter alcançado sucesso, no dia 20 de novembro deste ano, a Justiça do Trabalho tornou indisponível os bens imóveis do pretenso comprador para garantir se não o pagamento integral da alienação, pelo menos, o pagamento da multa de R$ 250.000,00 que lhe será aplicada caso realmente não consiga concretizar o pagamento.

Porem informações extraoficiais dão conta que o comprador em momento algum se arrependeu da compra, ou se recusou a efetuar o pagamento, alegando em síntese estar enfrentando varias dificuldades burocráticas para efetuar a transferência dos valores a Justiça do Trabalho tendo em vista que a fonte de sua receita se encontra fora do país.

Diante de mais este impasse envolvendo a Santa Casa, e com as supostas justificativas do comprador em estar passando por problemas apenas burocráticos e não financeiros para efetivar em definitivo a compra do imóvel penhorado, o juiz achou por bem conceder mais um prazo, que deve se extinguir no primeiro dia do próximo ano, para que o comprador honre o seu compromisso junto a Justiça Trabalhista depositando o valor acordado, cancelando a multa e dando definitivamente fim a mais este capítulo triste na historia da Santa Casa.

Para os funcionários que tinham por certo o pagamento de seus direitos, para a justiça que via próximo o fim de um longo processo, para o comprador que pode ser no final desta historia penalizado a pagar uma pequena fortuna caso não consiga cumprir o acordo de compra e para a população que além de se ver desamparada com o fechamento da Santa Casa acompanha desde o inicio a sua agonia, esta expectativa deixa no ar um suspense insuportável e a nítida sensação que algo de muito negativo pode existir naquele local – levando o desenrolar desta historia ao patamar de lenda urbana.