Frase do dia

“Não sou contra o governo com o intuito de me tornar governo. Sou contra o governo porque ele é contra o povo”

Reginaldo Marques

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quarta-feira, 16 de março de 2011

Mentiras históricas.


Campos do Jordão um castelo suíço construído sobre as nuvens!

A frase poderia ser o slogan de uma campanha publicitária criada por uma das dezenas de associações gastronômicas, empresariais ou turísticas que se espalham pela cidade.

Campos do Jordão já foi o destino de caçadores de ouro, enfermos em busca da cura e agora turistas a procura de beleza e tranqüilidade.

Mas como Campos do Jordão é uma cidade sui generis o que poderia ser apenas um sugestivo adjetivo se torna literalmente a fiel descrição do que é a cidade nos dias de hoje.

Campos do Jordão esta construída sobre mitos e lendas, se alimenta de falsas verdades e se enriquece com o trabalho alheio.

Campos do Jordão há muito tempo não tem mais ouro se é que algum dia chegou a ter, o clima europeu que curava e os hospitais especializados se foram, o turista constante e implacavelmente explorado aos poucos esta se afastando.

Não bastassem estas verdades ainda temos outras que poucos ou ainda quase ninguém sabe; A Pedra do Baú é de São Bento, o Pico do Itapeva é de Pindamonhangaba e a cidade que há muito tempo é conhecida como a Suiça Brasileira realmente é comandada por “estrangeiros” que na falta de competencia se cercam de centenas de aspones.

Ninguém com DNA de pinhão teve ou tem coragem o suficiente para admitir que mais um ciclo esta terminando em Campos do Jordão.

Campos do Jordão precisa de novos horizontes, de novas perspectivas de crescimento, o jordanense não precisa de mais uma pousada, precisa de políticas publicas serias, de políticas sociais que realmente venham de encontro com a realidade vivida pela esmagadora maioria da população que longe da população suíça não tem educação, cultura, saúde, laser, trabalho, solidariedade, dignidade e identidade própria.

Campos do Jordão 1700 metros acima das preocupações; Como dizia Joseph Goebbels Ministro da Propaganda Nazista: “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Suíça Brasileira?

Coluna do Dr. Pedro Paulo Filho no Jornal O Povo, um texto para ler e refletir.

Há 10 anos, entrevistado pela grande imprensa paulista, o professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo, Eduardo Yazigi, autor do livro “Alma do Lugar”, fez uma apreciação crítica sobre a identidade de Campos do Jordão. Disse ele que o turismo só pode fazer sentido, como o encontro de diferenças, como por exemplo: “Se vem a Paris é porque é diferente de São Paulo”. A Capital francesa é exemplo de cidade feita para o cidadão e não para o turismo e que por isso mesmo se tornou atração turística. Campos do Jordão, na sua visão, é um caso oposto, porque a diretriz recente de prefeitos e vereadores tem compactuado com o professor considera “a mentira de Suíça Brasileira”. Alega o mestre que se trata de mentira dupla, por imitar traços culturais alheios e por escamotear disparidades sociais inexistentes na Suíça. Ele diz: “todo lugar tem sua alma. Essa alma é feita por todo o mundo físico e pelo que não parece no físico, mas que faz, por exemplo, que uma Catedral e um prédio da Bolsa de Valores, com o mesmo estilo neo-clássico, despertem sentimentos diferentes. O que faz a alma do lugar é a paixão do homem por ele, de geração em geração. As periferias das grandes cidades são lugares sem alma. Não há condições para que seus moradores tenham vínculo afetivo com o lugar perverso em que vivem. Nós estamos nos modificando pelo lado perverso da globalização. Destruímos toda nossa herança cultural e arquitetônica. O que sobrou como identidade física? É a geografia física. Não globalizo a Serra do Mar; ela continuará diferente da Floresta Negra alemã.” A apreciação do professor é ácida: “Turismo é incompatível com miséria. Não adianta você ter um hotel cinco estrelas e o turista sair à rua e ser assaltado, assassinado ou dar com a cara com uma favela, que, no caso de Campos do Jordão, está virando as montanhas. Quando você sai do bairro Abernéssia em direção ao Palácio do Governo, vê um mar de favelas. Não acho que a arquitetura deva imitar o resto do mundo com uma subserviência cultural. O bairro de Capivari, por exemplo, é, escandalosamente, uma tentativa de imitar a Suíça. Isso é uma mentira. Os turistas europeus que vem aqui são muitos discretos em não debochar da nossa cara. A verdadeira identidade de Campos do Jordão está no bairros de Abernéssia e Jaguaribe. Já em Capivari, as pessoas tem que botar madeirame nas fachadas para que estas pareçam suíças. Começaram a cultuar tanto a imagem de “lugar do frio” que, quando não tem frio as pessoas não vão lá, ao contrário das montanhas da Europa. Então, começam a inventar festivais de tudo no resto do ano porque os hotéis fecham. Quisera Deus, Campos do Jordão tivesse os padrões suíços. Suíça Brasileira com favela,com lixo acumulado na rua, sem escolas, nem hospitais? Campos do Jordão ainda tem lugares de uma beleza excepcional, sobretudo, na área rural. Não que eu ache feio o que está em Capivari. Só que é uma mentira, até porque adota uma arquitetura do século 19. A Suíça de hoje não é essa. Bariloche (Argentina) que teve efetiva ocupação alemã, não cai nesse simulacro. Em toda Serra da Mantiqueira, inclusive em Campos do Jordão, ignorou-se solenemente toda inspiração que poderia vir da arquitetura colonial e até da caipira, que hoje é de uma beleza e simplicidade enormes.” Permitimo-nos fazer um reparo à análise do ilustre professor. A legenda “Suíça Brasileira” não é uma diretriz recente de prefeitos e vereadores. Como escrevemos em “História de Campos do Jordão”, livro esgotado, essa aureola foi criada no século 19, em 1841, pelo Dr. Domingos Jaguaribe quando escrevia no Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro, exaltando a natureza jordanense. Quem sabe, em 1891, Campos do Jordão era semelhante à Suíça?

Nota do Blog: Sempre fui da opinião que se deve respeitar as características e a cultura do local, importar soluções para resolver problemas endêmicos raramente da certo.
Parabéns ao Professor Eduardo Yazigi, direto ao ponto em poucas palavras.