“Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra”
Bob Marley
Dizia minha mãe com toda a sua sabedoria interiorana: “Guerra é guerra, não existe mocinho ou bandido nas trincheiras”.
Com vagas, mas marcantes lembranças da Revolução Constitucionalista de 32 onde a casa que morava ficava a menos de quilômetro das trincheiras entre São Paulo e Minas e com muitas e dolorosas da Segunda Guerra Mundial onde teve muitos conhecidos nos campos da Itália onde de lá alguns nunca voltaram minha mãe sempre argumentava que quando o homem desiste dos argumentos e empunha uma arma perde a sua razão seja ela qual for.
O mundo sempre viveu tomado por guerras e revoltas por todos os cantos, porem nos últimos anos os conflitos étnicos e religiosos por seu alto poder de destruição e pelo grau de ódio entre seus oponentes está tomando proporções no mínimo preocupantes.
Se a guerra entre povos culturalmente diferentes não é admissível o que podemos dizer quando irmãos de pátria se matam em nome de um regionalismo burro ou de uma religiosidade assassina?
As cenas de matança no Afeganistão e no Iraque já comuns nos noticiários se soma as cenas de fratricídio em território Sírio que agora se alastra como rastilho de pólvora no Egito.
Irmãos de pátria se matando em nome de Deus e em nome do homem.
O que preocupa o resto do mundo de forma longínqua me assombra no quintal.
Depois das manifestações populares onde milhões de brasileiros saíram as ruas de forma pacífica tendo como palavra de ordem a redução das tarifas do transporte publico tinham em seu objetivo bem mais do que os simples vinte centavos – O que a nação brasileira gritou em alto e bom som é que não quer apenas as migalhas dos reajustes de taxas e ou tarifas, mas sim respeito.
O povo brasileiro não quer mais ser desrespeitado como criança, adolescente, adulto ou idoso. O brasileiro não quer mais ser desrespeitado em seus direitos básicos. O brasileiro não quer mais ser tratado pelo estado e ai se incluem os servidores públicos como pessoas de terceira categoria, um estorvo, uma dificuldade a ser driblada diariamente para receber seus polpudos salários.
E são polpudos sim! Pois se assim não o fosse ser funcionário publico não seria o maior sonho da grande maioria da população.
Na contramão deste sentimento misto de revolta e nojo que o povo brasileiro sente hoje temos os políticos que se no começo assustados não sabiam o que fazer, hoje dois meses após estas manifestações claramente tomaram a postura do confrontamento com a população dando uma solene banana a opinião publica mantendo as suas regalias e falcatruas e atiçando seus cães fardados e amestrados na população que reivindica o que lhes foi prometido. Respeito!

