As
chuvas de março chegaram com força total na cidade e o desastre da Vila
Britânia, quando 40 famílias ficaram desalojadas, foi só um “aperitivo” para o
que viria a acontecer no centro comercial da cidade, dias depois.
Casas,
escolas, lojas, escritórios e carros foram invadidos pelas águas do Rio
Capivari que corta a cidade e os prejuízos para uma cidade que enfrenta uma de
suas piores crises financeiras, é incalculável.
Se
a administração não tem controle sobre o volume de água que cai em uma
tempestade, deveria trabalhar para diminuir possíveis prejuízos, pois sabe que
nesta época do ano as chuvas com maior intensidade são recorrentes.
A
limpeza de bocas de lobo e do leito dos rios que cortam toda a cidade, antes da
estação das chuvas, pode não evitar uma tragédia, mas diminui o impacto direto
na vida das pessoas.
Diz
um ditado que o Diabo é esperto não porque é Diabo, o diabo é esperto porque é
velho.
A
“velhice” traz muitos problemas, como cabelos e barba branca (coisa que minha
esposa detesta), diminui sensivelmente seu nível de tolerância com besteiras e
dores que aparecem do nada, e somem também do nada, assim como vieram. Mas traz
também benefícios, e o mais importante deles é a sabedoria acumulada com os anos
vividos.
Não
precisa ter a minha idade ou estar a beira da morte para se lembrar que
enchentes sempre foram parte presente na vida cotidiana do jordanense. Da mesma
forma que não precisamos ir a um museu para saber como as autoridades da época
lidavam com este problema.
Mas
precisa ter a minha idade para saber que até os anos 90, a limpeza preventiva
de galerias e dos rios era prática comum, e por conta disto, os problemas com
alagamentos nem passavam perto dos existentes hoje. Se o atual prefeito tem
alguma dificuldade de saber como se faz o trabalho, é só perguntar ao seu maior
apoiador, o Dr. Fausi Paulo, o último prefeito a se preocupar seriamente com
este problema.
Além
disso, com a limpeza e com a verificação periódica do estado das captadoras pode-se
detectar outros problemas na rede de escoamento que podem de alguma maneira
estar ajudando na retenção das águas.
Mesmo
diante desta destruição, dos prejuízos ainda não calculados e da inércia do
poder público, ainda encontramos as “Polianas” que protegem o prefeito com
unhas e dentes e credita à responsabilidade da tragédia a população.
Gente
que acha mais importante arrecadar alimentos e roupas para tratar o trabalhador
que perdeu tudo o que tinha, por incompetência dos órgãos públicos, como
indigente, posando de ativista antenado, do que cobrar que os culpados sejam
responsabilizados.
Gente
que realmente acha que um quilo de alimento não perecível e um sapato usado é o
suficiente para resolver o problema.
Enquanto
a “geração floco de neve” achar que os políticos não são responsáveis por nada
e o povo é culpado por tudo, vamos viver para sempre nesta cidade suja e
abandonada.
Campos
do Jordão têm muitos advogados, muitos médicos, muitos engenheiros, muitos
dentistas, muitos administradores, etc, etc, mas não tem ninguém com um mínimo
de bom senso.
Sobre
me candidatar a algum cargo público para somente depois ter direito de
reclamar, creio que já existe gente incompetente o suficiente na administração,
não precisa de mais um.
Por
derradeiro, acho que tenho direito de reclamar do prefeito, se levar em
consideração que se o governo da Holanda, que tem mais da metade de seu
território abaixo do nível do mar, consegue manter os pés de seus cidadãos
secos o ano inteiro, não tem justificativa viver em uma cidade a 1700 metros de
altura e ter sua população com água pela cintura toda vez que chove.
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