Frase do dia

“Não sou contra o governo com o intuito de me tornar governo. Sou contra o governo porque ele é contra o povo”

Reginaldo Marques

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sexta-feira, 24 de março de 2017

Suíça bananeira. - A Tribuna

Jordanense é um bicho estranho. Mora em uma cidade que não lhe oferece absolutamente nada, mas mesmo assim se vangloria de viver na “Suíça brasileira”!

Somos o top, a quinta-essência, o suprassumo da brasilidade... Somos a definição mais fiel do que é ser brasileiro, mais até que Macunaíma.

Prova do que afirmo é o evidente complexo de vira-latas que esta entranhado no DNA jordanense, como a pinha esta no pinhão – complexo tão evidente que parece que é tatuado em letras garrafais, vermelho piscante na testa de todos que nascem aqui, no alto da serra.

Esta inquietante sensação de ser sempre aos olhos dos outros: preterido, menor e imperfeito, sensação que aflige a todos os brasileiros, aqui é levada a sério, tanto que deixou de ser um defeito para se tornar uma característica.

Para sentirmos superiores desenvolvemos mecanismos próprios para conviver com esta carga negativa. Para contrapor esta inerente inferioridade, criamos o factoide das amizades importantes, achamos sinceramente que por ter contato ou até mesmo algum grau de intimidade com personagens de alguma relevância na cidade, mesmo que esta relevância seja temporária, nos colocamos um degrau acima dos demais que nos cercam – a lógica, ou no caso a obtusidade é simples: Se temos amigos importantes, também somos de alguma maneira importantes - Por isso, que por aqui, mais do que em qualquer outro lugar do mundo, a “indústria do tapinha nas costas” prospera mais do que nunca.

Conseguimos assim construir uma maneira fantasiosa de conviver harmonicamente com problemas que para o resto do mundo são inaceitáveis.

Como se já não tivéssemos problemas o suficiente para nos preocupar, em algumas sinecuras da cidade o “vírus” do complexo de vira-latas sofreu uma mutação e esta evoluindo para a Síndrome de Estocolmo.

Para quem não sabe, a Síndrome de Estocolmo é uma reação complexa diante de uma situação assustadora, onde o indivíduo mesmo sendo vítima de inúmeras agressões acaba criando laços afetivos com seu agressor.

Por aqui, ninguém pode criticar ou cobrar responsabilidade dos políticos. Mesmo diante de desastres como o que se abateu repetidamente sobre moradores e comerciantes de Abernéssia e região no começo do mês, em especial na quarta-feira, 8 de março, que brotam defensores por todos os lados como erva de passarinho, justificando o injustificável e depositando toda a culpa nas costas da vítima... O povo! Justamente o elo mais fraco da corrente.

Mesmo sabendo que todos os problemas por qual passa a cidade serem fruto da incompetência e da inércia política que existe na cidade há décadas, eles se colocam em frente de seus opressores como escudos humanos, dispostos a darem suas vidas para transformar a mentira alheia nas suas verdades.

Assustador... Muito assustador! Mas é a mais pura verdade!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Perseguição Politica ou Síndrome de Estocolmo?

Síndrome de Estocolmo é o termo dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida há um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo a cultivar um sentimento de amor ou amizade pelo seu agressor.

E o que isso tem a ver com perseguição politica? Explico:

Criou-se no imaginário politico que aqueles que criticam contundentemente, mas não elogiam os políticos eleitos ou os políticos nomeados quando estes simplesmente fazem a sua obrigação que é a de servir, e servir bem a população, estão perseguindo politicamente estas pessoas.

Esta afirmação ou somente a sua insinuação seria considerada surreal em qualquer lugar do mundo, mas no brasil... Nada mais sui generis no país das jabuticabas, não é mesmo!

Como uma pessoa que não é filiada a partido ou partícipe de grupos políticos, que nunca ocupou cargo em comissão, pleiteou ou teve cargo eletivo pode ser acusada de perseguir politicamente alguém?

Uma absoluta inversão de valores, mas que faz bem aos políticos no poder – e se faz bem, porque não se utilizar de tal expediente?

E é exatamente ai que a tal Síndrome de Estocolmo entra na historia.

Raramente um politico profissional lança mão deste artificio para se defender porque    “pega mal” esta postura de coitadinho perante o eleitorado quebra o glamour do poder que os cargos lhe conferem.

Neste momento entra em cena aquela figura conhecida dos militantes de carteirinha, ou pior ainda; aqueles que figurão entre os inocentes úteis da politica.

Aqueles que são sistematicamente usados e pagos com longos abraços e insistentes tapinhas nas costas e lógico... Com alguns segundos da atenção de seu politico predileto para tirar uma foto, sempre na esperança de um dia participar de seu circulo intimo de amizades.

São justamente estas figuras que alimentam esta lenda urbana de que politico merece elogio. Merece reconhecimento pelo bom trabalho que deveria fazer sempre, e que faz esporadicamente.

Demonizam os que cobram seriedade e respeito da classe politica e glorificam o cumprimento do dever do estado, demostrando claramente a admiração que cultivam por seu algoz – alguma semelhança com o comportamento dos acometidos pela tal síndrome?

Mas como diagnosticar alguém sem os devidos diplomas legais pode ser considerado charlatanismo e pratica ilegal da medicina, nunca direi que conheço alguém que sofra deste mal, mas afirmo que conheço muitas pessoas “exóticas” na cidade.